Você acorda, dá aquela espreguiçada, se arruma e, no horário marcado, lá está o táxi na porta de casa, para uma ida tranquila ao trabalho. Não que o trânsito tenha desaparecido. Ficou mais divertido, conta a bancária Mônica Moreno. “No táxi, você ouve uma música, conversa com o motorista”, diz. E a tensão de dirigir numa cidade grande como São Paulo desaparece no veículo equipado com ar-condicionado do taxista Marcos Costa. “O Marcos acabou virando uma pessoa de confiança, quase como se fosse da família”, afirma.
Mônica é uma das pessoas que aderiram ao movimento – ainda não-oficial – na capital paulista de trocar o carro pelo táxi não só para ir ao aeroporto ou ao médico, numa emergência, mas para ir ao trabalho e à faculdade. Costa tem seis clientes nessa condição. É gente que prefere o conforto ao estresse de dirigir todo o santo dia.
Não que o táxi seja mais barato. “Creio que nesses dias em que utilizo – às terças e quintas – o táxi fica um pouquinho mais caro que pegar o carro e pagar estacionamento”, diz. Mas a tranquilidade compensa. “Só o estresse que você tem guiando, de ter de se preocupar com todo o mundo ao redor”, afirma Mônica.
Semana toda, a bancária só não troca o carro pelo táxi porque nem sempre sai no horário. Mônica vai e volta com o taxista. Nesses dias, não dá moleza: chega mais cedo e vai direto pra academia. Uma mordomia para ninguém botar defeito.
E, nesses tempos em que se pratica a redução da emissão de gases do efeito estufa, aí vai uma dica: combine com a família para ir ao trabalho, ou com os amigos no fim da balada, de pegarem um mesmo táxi. Além de ser mais sustentável, fica até mais econômico.
(Carla Soares Martin)
Trânsito Batuta
Abril 13, 2009 por blogdacarlaONG inaugura quadra em Paraisópolis
Agosto 17, 2008 por blogdacarlaEm meio ao morro de casas de tijolos vermelhos surge uma quadra de esportes na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo. Wellington, um menino de 7 anos, não perde tempo: lá está ele todo empolgado com sua bola amarela no pé. A quadra foi inaugurada em fevereiro, por iniciativa privada, da ONG Casa da Amizade.
“Me leva lá?”. Foi essa pergunta que levou Helvio Mation a fundar a ONG há 13 anos. O gerente da Prodesp, a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, distribuía sopa no Portal do Morumbi quando ficou intrigado em saber de onde saíam tantas crianças. Quando chegou, viu que precisavam mais do que comida. Decidiu ficar. Nem a cadeira de rodas nem a dificuldade de entrar num terreno desconhecido impediram Mation de levar o projeto adiante. Comprou logo um barraco que foi ampliado até se tornar hoje as três casas que a ONG mantém no Grotão, uma das zonas mais vulneráveis de Paraisópolis.
O apoio vem da LG, Bahema, Amdocs, do Instituto EduMed, do braço da ONU para mulheres e do Instituto Afranio Affonso Ferreira, além de contribuições individuais.
Entre as atividades estão o reforço escolar para crianças de 7 a 12 anos, tocado por professoras da comunidade, a orientação à gestante e a feira livre gratuita.
Com as mãos coradas pela cenoura, a moradora de Paraisópolis Elivania Jesus da Silva ajuda a distribuir as verduras e vegetais aos sábados. “Sempre me prontifico a ajudar”, diz esta baiana de 23 anos, que tem uma filha de sete. A diarista usa os vegetais como complemento para o almoço. “Faz a diferença”, afirma.
Para completar, a quadra. O voluntário Sérgio Marques projetou o espaço. Português, esse arquiteto de 26 anos trabalha em São Paulo e freqüenta a favela aos fins de semana. Marques acredita no potencial das ONGs: “As pessoas precisam saber que podem fazer alguma coisa.”
Potencial que invade a responsabilidade do governo? O presidente da ONG, Helvio Mation, acredita que não. “Nosso objetivo é que a comunidade melhore, organize-se”, diz.
Prefeitura
A quadra da Casa da Amizade supre uma parte da falta de espaços de lazer da favela de Paraisópolis. A um quilômetro dela, está a única Escola Municipal de Educação Infantil, mesmo assim chamada de EMEI II. Com obras iniciadas em março de 2006, a escola deveria ter começado a funcionar em julho do ano passado.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o entrave é a falta de rede de água, luz e esgoto. “Tão logo estejam concluídos esses trabalhos, a escola será inaugurada”, assegura a secretaria.
O órgão informa ainda o andamento de duas outras obras na comunidade – um CEU e uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) – para diminuir o déficit em Educação, Esporte e Lazer na favela de Paraisópolis.
Por fora do debate da responsabilidade entre o poder público e privado, corre o menino da bola amarela. Wellington não se importa se a quadra é da Prefeitura ou da ONG, ou ainda se foi feita pelos dois juntos. Só quer saber de uma coisa: de um lugar para brincar.
Atualizada em junho de 2008.